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Retiro 2010
 

 
No passado fim de semana de 28 a 30 de Maio realizou-se o nosso Retiro na quinta de Santa Cruz, na encosta do Sameiro. Contamos com a presença de 11 Jovens que aceitaram o desafio, de em silêncio saborear o encontro arrebatador com o nosso Deus que sempre corre de braços abertos na direcção de cada um de nós. Os momentos vividos em extrema cumplicidade e unidade estão ainda bem presentes no coração de todos os que participaram, sabendo que é pela Eucaristia e pelo serviço que nos mantemos unidos a Ele, em permanência.

Abaixo estão dois testemunhos de jovens que fizeram o Retiro


Testemunhos: 


Carta a Deus

Que posso eu dizer meu Deus, que pode a minha alma extravasar neste momento… Gostaria de dizer muita coisa, mas apenas digo: “Encontraste-me. No mais fundo do meu ser vieste ter comigo, tocaste-me e disseste-me – Aqui estou!” Que mais se pode pedir a não ser a presença daquele a quem amamos.

Se me perguntares porque decidi ir ao retiro eu digo: para Te sentir, para verdadeiramente Te sentir.

Digo sentir porquê? Porque ao longo da minha vida sempre Te busquei, e busquei... Sei tudo sobre Ti, tudo sobre a Tua vida e sobre a doutrina, mas faltava-me algo… Pois eu sempre soube que Tu estavas comigo, mas não conseguia entender porque é que por vezes, mesmo sabendo isto não Te sentia, parecias distante…

É que sabes?!

Apenas saber sobre Ti não chega, não preenche alma de um ser humano que anseia pelo seu Deus.
E eu ansiava pelo meu… Ansiava por Ti…

Perdida no meu dia-a-dia, sem saber bem como agir, sem saber como fazer. Rezando, mas sentindo que aquilo que eu rezava não era suficiente, não era digno de Ti amigo.

Sabes o que me faltava?

Faltava-me sentir-Te Deus. Saborear-Te Deus. Viver-Te Deus.
Então decidi. “Vou fazer o retiro.”

Posso dizer que nesta vida de 22 anos, foi a melhor experiência que alguém me podia ter proporcionado. E apesar de tagarela, fala-barato que eu sou, não me assustou estar em silêncio.
Eu queria estar em silêncio. Eu queria ouvir-Te
Aquela paisagem, aliada ao silêncio eleva-nos a alma. Faz-nos flutuar, sonhar, pensar. Faz-nos olhar no nosso íntimo mais profundo que ainda nem sequer olhamos e orar.

Posso-Te dizer que a imagem que ficou na minha cabeça e ficará para sempre em mim foi:
Eu, encostada numa árvore a escrever e a falar contigo! Os grilos a cantar, os pássaros a chilrear, o ribeiro com a sua água a sussurrar baixinho. O chão cheio de folhas e as formigas atarefadas a trabalhar! Uma música suave de fundo a vir da cozinha deu-me calma. A lágrima no canto do olho que teimava em lá estar. Mas sobretudo, a fotografia com que fiquei desse dia foi mesmo a sensação de Te ter comigo.

Aquele ar puro libertou-me a mente e fez-me chegar a Ti…

É esta a imagem que eu tenho…

O que eu retirei senhor? O que eu aprendi?

 Aprendi Deus que o teu amor é incondicional, não cansa nem se cansa. Mas que um amor sem obras nada é! Que um amor sem caridade nada é! Podemos fazer, como eu fazia antes do retiro, mas se o amor não inunda a minha obra, de nada me adianta.

E é isto que nos falta a todos Pai, amar desmedida e desinteressadamente. Saber que a Eucaristia e o teu amor são tudo o que preciso para fortalecer o espírito. Saber que a tua morte não foi em vão, foi um acto de amor incomensurável que nos abriu as portas para a verdadeira vida: a vida ao teu lado!

 Aprendi que só aniquilando-nos a nós próprios (dando-nos aos outros, sendo caridosos, misericordiosos, entregando-nos por inteiro) temos a vida, somos ressurreição. Vivendo assim mostramos aos outros Pai, que somos cristãos, que somos um baluarte imóvel onde todo aquele que precisa encontra apoio.

 Tudo isto encontrei contigo a meu lado.
 Do mais íntimo do meu Ser, obrigado Jesus, por tudo aquilo que fizeste por mim no retiro e que ainda hoje em conjunto com Deus Pai e o Espírito Santo continuas a fazer.

 Apenas te peço senhor, fica comigo e deixa-me ficar aninhada no teu amor, para que possa sempre encontrar refúgio quando este mundo levar a melhor. Para que possa recarregar baterias e encontrar-Te e encontrar o teu amor bem no fundinho do meu coração. Pois é no meu íntimo que estás! E agora já sei o que fazer quando não te sentir ao meu lado. Vou procurar-Te. Nos evangelhos, onde falas cara-a-cara comigo e nos irmãos, que são todos criação tua, onde Tu Te tornas presença constante.

 

AVISO

 Sabem este retiro foi a melhor coisa que me poderia ter acontecido (melhor do que ir ver o Papa ao Porto), pois deu-me este Deus que me ama imensamente como presente.

 Mas não se fiquem por aquilo que eu escrevi, de nada vos adianta!

 Arriscai.

 Ide ter ao encontro daquele que vos ama mais que tudo… Vivei e senti Deus em vós… Não temais Ele acolher-vos-á de braços abertos.

Sabem o retiro é como um gelado!
Alguém está a comer um gelado e diz: “Huummm, até que é bom!! E eu digo: “Deixa-me provar!”

 Ou seja, eu até acredito que o gelado é bom mas tenho que provar para saber! Só sei como o gelado é bom quando o saboreio!

 E vale a pena saborear o retiro…


Uma jovem


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Nas minhas mãos sentia a erva rasa como um manto reconfortante, na face uma brisa como um suave beijo e em todo o corpo os raios de sol envolviam-me no Seu abraço… Ao longe, muito longe a civilização em ponto pequeno…

 


Foi desta forma que os meus sentidos captaram os sinais no encontro com Deus. Não considero ter feito retiro, penas concordo se considerar o facto da civilização ter ficado lá longe… bem longe, considero que neste fim de semana fiz Encontro, um encontro pessoal, íntimo, verdadeiro e muito sentido com o nosso Amigo e Mestre.

Poderia narrar de forma breve os momentos chave deste Retiro, desculpem… Encontro, contudo o que verdadeiramente (não ilusoriamente) sinto leva-me a partilhar convosco um pouco desta experiencia pessoal com o nosso Mestre. Sorri, chorei, conversei, deixei que Ele me falasse, que me guiasse no meu entendimento… nesse local onde a erva era rasa, caminhei com Ele, fui para campos onde as flores são diferentes, onde me senti livre, me senti amado por Ele, onde me mostrou um caminho diferente para percorrer e nesse instante não tive medo de aceitar desbrava-lo daqui para a frente… será que é isto o Acreditar?

 Neste Encontro percebi que andava longe estando perto. Sim, Ele procura-nos a todo o instante nunca desiste de nós, acredita em nós e ama-nos ao ponto de nos permitir recomeçar na graça do perdão… será esta a Boa-nova?

Neste retiro (uma página na minha vida), pela Sua mão fui até um cruzamento onde me indicou um novo caminho. Lá, abraçou-me e disse-me: “ Vai, estou contigo não tenhas medo, vai em procura de um verdadeiro amor através da entrega, da partilha, da caridade. “ Compreendo agora que é nesta liberdade que o Seu amor se torna inextinguível.

Que mais preciso eu? Talvez levar esta Boa-nova para junto do meu irmão e fazer festa.

Um jovem

 

 
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